quarta-feira, fevereiro 11

DO DESESPERO

DO DESESPERO

Te vi dormindo hoje
e
mãos de ar te arrastavam aos solavancos
dentes e garganta bradavam o que faço?! o que faço?!
Músculo algum comprou minha ideia
Corpo estático e suspenso que voltou a dormir.

Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

DO AMOR

DO AMOR

A singularidade de cada amor nos coloca pasmos diante de um abismo.
Qual a medida?
Quais os limites entre os amantes?
O que é isto?

Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

DA SOLIDÃO

DA SOLIDÃO

A solidão é tão bela e tão assustadora.
Nos remete a nós mesmos cruamente.
Espelho, espelho meu, isto sou eu?

Angélica Castilho
Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

DO HOJE

DO HOJE

O hoje é um dia
dentro
de
outro dia
Um somar
de degraus horizontais, camuflados, intactos.
Boneca russa
Que reserva o vazio.

Angélica Castilho
Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

DOS DESTEMPEROS

DOS DESTEMPEROS

A histeria
Seja ela de ordem clínica ou de frescura
Me incomoda.
É um balão soprado a cada cena
em forma de desconforto físico
situado em minha caixa torácica
Valei-me Freud!

Angélica Castilho
Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

ANÚNCIO DE CARNAVAL

ANÚNCIO DE CARNAVAL

Nossa senhora da Lapa, salve seus foliões!
Salve os meninos e as meninas que brincam em suas ladeiras!
Salve a alegria que passa também fantasiada de colombina pelos arcos!
Salve Bandeira! Que ainda está a brincar pelo Curvelo, pela Glória esboçando poesia em guardanapos pelos bares.
Salve as passistas, as baianas!
Olhai por todos nós!
Salve! Salve, nossa mãe!

Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2015.

CASULO

CASULO

Estudar estudar estudar estudar estudar estudar estudar estudar estudar...
Ação camuflada
Pronta
para saltar pela estrada
e correr visionária.

Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 05 de janeiro de 2015.

terça-feira, janeiro 13

AINDA SÍSIFO

Um dia depois do outro...
rolando em cascatas
de pedras-fatos, pedras-ações, pedras-desafios, pedras-ignorâncias, pedras-injustiças
Rolando rolando rolando...
Quando minhas retinas já fatigada não avistarão pedras a cair?
Quando?

Angélica Castilho
Rio de janeiro, 13 de janeiro de 2015.

quinta-feira, maio 2

DITO E FEITO




Não tenho tempo de ser poeta, poeta de profissão, de encontro nos bares, de sair em passeata reivindicando melhores leitores, melhores meios de divulgação de minha amada obra. Não tenho.

E não ter é a única poesia que me resta. Poesia do menos. Porque existir é menos! A cada dia menos, até sumir com caderno de poesia que traz desde os tempos da sexta série do antigo Ginásio. Pó do tempo! Pó da vida...



Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 30 de abril de 2013

LEMBRANÇA




Estou com uma puta saudade de mim! Mas não me ligo há séculos! E hipérboles a parte, a vida é o Saara, o da África e o dentro do Rio, vazio e cheio de gente, mas sem gente. Com isso, a gente se perde até da gente! E não tem ninguém para anunciar em alto-falante a pessoa perdida... Tecnologia inútil quando se trata da vida...



Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 30 de abril de 2013

CUSTO




Meus amigos estão adoecendo. Muitos deles! Vem dessa confusão toda a pergunta: o que eu faço da minha vida?



Nenhum deles sabe responder nem eu.



Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 02 de maio de 2013

segunda-feira, maio 16

sábado, março 19

GRAU DE SENSIBILIDADE

Me pergunto quem será essa pessoa dentro de mim que eu quero que me ame sem eu a amar com os conceitos que a humanidade me oferece de amor. Só exercito um sentimento novo de espanto e deleite e propriedade e enjoo e esquecimento que não tem nome, mas é original. Mãe é nome que não dá conta memso, seu preenchimento foi sendo equivocado de relato pra relato, de mito pra mito. Estou sendo é mulher!

Angélica Castilho
Rio de Janeiro, 15 de março de 2011.