domingo, janeiro 13

QUASE PASSISTA

Os sonhos são
as oportunidades
que nos criamos
para realizá-los!

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 2008.

domingo, janeiro 6

DÓ MAIOR

Turbilhão:
Rodar sobre os saltos
Em pé de vento.
Chuva no corpo,
Calor e frio.

Mas não há amor.
Não há amor...

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 06 de janeiro de 2007.

terça-feira, dezembro 25

EPISÓDIOS V

Lobo solitário chama na noite:
Chuva, chuva, chuva, chuva!
Festa!
Uvas maduras ao alcance de todos.
Passeio cadenciado pelas fileiras de cadeiras,
Fotos de corpos.
Olhar fixado em ninguém:
O tempo passou e só Carolina não viu...

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 25 dezembro de 2007.

segunda-feira, dezembro 10

EPISÓDIOS IV

Saudade de mim mesma
Em você.
Mas o meu desespero
Me leva pra longe, pra bem longe.

Você lindo, lindo...
E eu triste com tanta alegria.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 04 dezembro de 2007.
EPISÓDIOS III

Gula de beijos teus
No escuro da sala de estar sendo feliz.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 04 dezembro de 2007.

domingo, dezembro 2

NEBULOSA DE MARTE

Tudo errado e não se sabe como sair. Lugares que passam pessoas. Vidas em danças sem ritmo – marcha nazista de passista cega. Deslocamento de sentimentos que não deveriam ser transitórios. Amizades e amigos que não se entendem apesar do amor. Risos dementes e paradoxalmente felizes: alegria do convívio. Não se sabe quem é a moça de branco que passa lívida, tropeçando em si mesma. Sangue nos olhos que nada vêem – pétalas marcando o caminho. Não se sabe o praquê da vida.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 02 dezembro de 2007.
INEFICÁCIA

Luto, reluto.
Amor, ira:
Pontas de um novelo.
Diante dos fatos
As mãos abertas,
Espasmódicas.
Lágrimas que não caem.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 27 novembro de 2007.
EPISÓDIOS II

Meus amigos não são meus amigos
Ou eu nunca soube o que é amizade?
Tendências para o desencontro.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 27 novembro de 2007.

sábado, novembro 24

EPISÓDIOS

Cada movimento de lembrança
conduz a um cemitério interior.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 21 novembro de 2007.

domingo, novembro 11


COISAS DE VIVER

Ah! Esses olhos que tudo vêem...
Esse corpo que tudo quer,
Que tudo sente,
Que por muito arde,
Que se perde em caminhos que não há.
Essas palavras que são um mundo
E que não resolvem.
Essas mãos que nada prendem.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 11 novembro de 2007.
BALDINHA PARA UM OGRO

Meu lindo... meu rei, que saudade de ti!
E esse vento morno, entontecendo pensamentos,
Amolecendo corpo,
Que insiste em invadir o quarto
Lembrando teu calor.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 1o. novembro de 2007.

BALADA DE ARIADNE

Sempre desconfiei que Apolo fosse um chato.
Esse blá blá blá de clareza
Não ta com nada.
Bom mesmo é ir fundíssimo em tudo
Ser arrastada por
Gargalhadas, mãos, salivas, pêlos,
Boba a boca com o desejo,
Olhos marejados de gozo.
O resto é besteira!

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 20 de outubro de 2007.
PROIBIDA PRA MENORES E MAIORES

Engatilhada
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere
Disparara e fere.
Mulher com alma de menina.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2007.
CRÔNICA FELINA

Gato sem dono é gato feliz! Vida de gato não inclui coleira, hora marcada, correr atrás de próprio rabo. Gente que se vê nessa mesma condição de personalidade e felicidade já foi gato em alguma vida e insiste nessa solidão beatificada, nesse olhar sarcástico, sério, doce, nesse fica a contemplar da uma mureta qualquer o mar em dias de ressaca sem correr, porque também tem a alma revoltosa. Comunga com o movimento da vida.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2007.

ESMERALDAS

Tudo de gato:
Olhos blasés,
Bigodes-antenas
A farejar sentidos – doídos, doídos... –,
Língua percorrendo de cabo a rabo o mundo,
Experimentando venenos com gosto bom – aparências fakes –,
Independente a passear pelas ruas com ou sem luar,
Arrojadamente só e, pasmem! Feliz – felino sem ser ferino.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2007.
À LA MICHEL MELAMED

O amor não é eterno.
Nos atos e palavras de torná-lo
Para além de tudo e todos,
Precipitamos sua transmutação
Em sentimento oco,
Pronto para explodir e propagar vazio.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 20 de outubro de 2007.

DEAD LINE

Somos
o único animal
que
deliberadamente
procura a autodestruição
que opta pelo erro
sabendo ser erro.
Talvez, por isso, sejamos
o único que enlouquece.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2007.
REFLEXÃO

Com que você compartilha sua alegria?

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 16 de outubro de 2007.

CICLO

O zero é um número metafísico.
Inicia. Antes do nada só vazio.
É o oco antecedente.
O caos inicial poderia ser representado por ele.
Zero é o desenho matemático do gênesis.
E depois dele não há mais nada.
Ele não é sucessor de nenhum número:
Cobra engolindo o próprio rabo.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 16 de outubro de 2007.