terça-feira, junho 9

As Praias Desertas

As praias desertas continuam

Esperando por nós dois
A este encontro eu não devo faltar
O mar que brinca na areia
Está sempre a chamar
Agora eu sei que não posso faltar
O vento que venta lá fora
O mato onde não vai ninguém
Tudo me diz
Não podes mais fingir
Porque tudo na vida há de ser sempre assim
Se eu gosto de você
E você gosta de mim
As praias desertas continuam
Esperando por nós dois

Antonio Carlos Jobim

Eu e Água
A água arrepiada pelo vento

A água e seu cochicho
A água e seu rugido
A água e seu silência
A água me contou muitos segredos
Guardou os meus segredos
Refez os meus desenhos
Trouxe e levou meus medos
A grande mãe me viu num quarto cheio d'água
Num enorme quarto lindo e cheio d'água
E eu nunca me afogava
O mar total e eu dentro do enterno ventre
E voz de meu pai, voz de muitas águas
Depois o rio passa
Eu e água, eu e água
Eu
Cachoeira, lago, onda, gota
Chuva miúda, fonte, neve, mar
A vida que me é dada
Eu e água
A água
Lava as mazelas do mundo
E lava a minha alma

Caetano Veloso

























ROTAÇÃO

Tenho um mundo girando na minha frente,
no qual às vezes eu caio dentro
e fujo do mundo –
porque os mundos são muitos
e o outro-mundo é fascinante –,
e do qual salto às vezes
e fico perdida com sensação de achada –
porque vejo tudo diferente,
porque, afinal de contas,
tudo está diferente!
Os olhos que veem são diferentes...

Angélica Castilho
Rio de Janeiro, 05 de junho de 2009.

MORADA

Força de ventos

em sorrisos no

ar. Tom de cores

cinza-azul

de sonhos.

Castelo sem muros.

Odô ia!

Angélica Castilho

maio de 2009

sexta-feira, março 6


Gratia Plena

Esse gosto de futuro invade os poros
E faz sentir-me já sendo outra de mim mesma,
Transtornada, transfigurada, translúcida, transcendental
Em catarse dionisíaca do (in)ter-you.
Apenas o rosto é o mesmo
E segue pelas ruas com se nada estivesse acontecendo.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de janeiro, 04 de março de 2009.
Menininha Sapeca

Nessa felicidade
Que é luz
De fogos
E
Beijos debaixo de chuva,
Fico pelos vãos
Me escondendo
Com um sorriso sonso:
Disfarce de alegria...
Ah! Alegria...
Que é tanta
Que é pura
Que é tão íntima e secreta,
Tesouro trancafiado por trás do olhar
Entre abraços e palavras dengosas e ronronar de amantes.
Por toda essa grandeza, uma alegria frágil:
Criança comendo doce roubado que não pode ser vista,
Mas lambuza o rosto...

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de janeiro, 04 de março de 2009.

sábado, dezembro 20

HIDRA DE LERNA

Amor e suas muitas cabeças!
São tantas
E tão poço tempo pra entendê-las
E quando julga entender,
Ele já não mais é:
Entender é cortar cabeças para delas surgirem outras emdobro
E não se pode,
Em hipótese alguma, queimar-lhes o corte: morta a hidra, morta a vida.
Esse monstro deve ser domesticado e morder-nos
Calcanhares e sonhos.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 2008.
OIÁ IANSÃ

Coragem é tudo!
Há pessoas que são pé de vento,
bailam nesse ir e vir da vida:
ida, ida, ida sem mas nem porquês.
Voltar em voltas, em rodopios,
pelo ar que é assim
que a Moça dos Ventos vive.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 2008.

quarta-feira, novembro 12

P.S.

Vida plena!
E quem disse que não se ama nessa cidade?

O sorriso único.
Corpos simplesmente flutuando.

Tudo já foi dito
Só nos resta viver.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 10 de novembro de 2008.
ATO

Felicidade tem nome:
Nós!
Amor em todas as faces.
Amor...
Simplesmente amor.
Eros e Psique
Flutuando pelos caminhos.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 05 de novembro de 2008.

LABIRINTO

Estar perdido é solução.
Caminho cego
Em fio de Ariadne de luz,
De olho para olho
De boca para boca
De pele para pele.
A chegada e a partida
São o mesmo ponto.
Paixão! Paixão!
Verdade única.
Não quero sair
E este é o lugar.

Angélica de Oliveira Castilho

Rio de Janeiro, 16 de outubro de 2008.
MIL E UMA NOITES

O quarto e universo e tudo.
As histórias somos nós.

Cherazarde às avessas,
contando para não acabar o tempo.
Amanhecer é o mesmo que saudades.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 16 de outubro de 2008.
DELÍRIOS LAPIANOS

Cá, cá, cá
Carnaval
Na, na, na
Não interessa!
Vou beber todas
To, to aqui
Por aí
Pra pular carnaval
No aval com o
Momo que sorri
Ri! Ri! Rio!
Que maravilha
Nossa ilha de alegria
Não tem CPI nem mensalão
Tem alegria do povão
Que só quer rir
Ri1 Ri! Ri!
Rio!...

Angélica Castilho
Antonio Adolpho
28/IX/MMVIII
Bar do Juca

Rá, rá, ra´
Já vão nos expulsar
Vamos beber até cair
Mas vamos nos divertir
E quando o sol surgir
Pegar um táxi
Porque a lei seca ta aí!

Angélica Castilho
Antonio Adolpho
28/IX/MMVIII
Bar do Juca

(Esse site está em construção)

O que é xX?
Qd (Lim x)
è + (símbolo do infinito que não tem no meu micro para colocar...)
(o que são 15 dias quando
o tempo tende à eternidade?)
R: Tempo de c... é r...

Antonio Adolpho
28/IX/MMVIII

“Eu sou um pós-lispectorano.”

Antonio Adolpho
28/IX/MMVIII
Madrugada no Bar Arco-Íris.

NÓS

E para o além
Pós e tudo lacto e stricto
é sempre ontem sendo hoje!

Angélica Castilho
28/IX/MMVIII
Madrugada no Bar Arco-Íris.

terça-feira, outubro 14

ENCANTADOS

Sopro de Deus!...
Início...
E nada mais será como antes.
Química ancestral
De eus que se dão
E se reconhecem:
Espelhos sem inversão
Em mimetismo espontâneo.

Angélica de Oliveira Castilho
Rio de Janeiro, 14 de outubro de 2008.

domingo, outubro 5

EROS E PSIQUÉ[1]

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
ergue a mão, e encontra hera,
e vê que ele mesmo era
a Princesa que dormia.


[1] PESSOA, Fernando. Poesias. 5. ed. Lisboa: Ática, 1958.