domingo, setembro 25

DE MÃE (parte 1), de Conceição Evaristo

 DE MÃE (parte 1)



Conceição Evaristo


O cuidado de minha poesia

aprendi foi de mãe,

mulher de pôr reparo nas coisas,

e de assuntar a vida.


A brandura de minha fala

na violência de meus ditos

ganhei de mãe,

mulher prenhe de dizeres,

fecundados na boca do mundo.


Foi de mãe todo o meu tesouro

veio dela todo o meu ganho

mulher sapiência, yabá,

do fogo tirava água

do pranto criava consolo.


Fonte do texto: <https://www.revistaprosaversoearte.com/conceicao-evaristo-poemas/>.

Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/photos/papoulas-campo-p%c3%b4r-do-sol-174276/>.

sábado, setembro 24

Vamos fazer yoga?

 Vamos fazer yoga?



Por Angélica Castilho


Em muitas aulas, você praticou a postura da montanha, ou seja, Tadasana. Segue um tutorial muito legal para quem está começando e para quem já vem praticando. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=uSc4FPl9DcM&list=UUod2Gi9j8THW1hC7sHn94Rw&index=38 

Namastê!


Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/photos/ioga-exerc%C3%ADcio-fitness-mulher-3053488/>.

domingo, setembro 18

DA MENINA, A PIPA, de Conceição Evaristo

 DA MENINA, A PIPA



Conceição Evaristo


Da menina a pipa

e a bola da vez

e quando a sua íntima

pele, macia seda, brincava

no céu descoberto da rua

um barbante áspero,

másculo cerol, cruel

rompeu a tênue linha

da pipa-borboleta da menina.


E quando o papel

seda esgarçada

da menina

estilhaçou-se entre

as pedras da calçada

a menina rolou

entre a dor

e o abandono.


E depois, sempre dilacerada,

a menina expulsou de si

uma boneca ensangüentada

que afundou num banheiro

público qualquer.


Fonte do texto: <https://www.revistaprosaversoearte.com/conceicao-evaristo-poemas/>.

Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/photos/papoulas-campo-p%c3%b4r-do-sol-174276/>.

sábado, setembro 17

Vamos fazer yoga?

 

 Vamos fazer yoga?



Por Angélica Castilho


Tivemos um momento de Power Yoga em um sábado passado. Hoje teremos mais uma prática poderosa, trabalhando o corpo inteiro. Vale muito conferir: https://www.youtube.com/watch?v=DVfxf8HGLWw&list=UUod2Gi9j8THW1hC7sHn94Rw&index=36 

Namastê!

Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/photos/ioga-exerc%C3%ADcio-fitness-mulher-3053488/>.

Por Angélica Castilho


Mantendo a linha Power Yoga, a prática de hoje é rápida, porém intensa. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=65Zzjv8s53U&list=UUod2Gi9j8THW1hC7sHn94Rw&index=37 

Namastê!


Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/photos/ioga-exerc%C3%ADcio-fitness-mulher-3053488/>.

domingo, setembro 11

A NOITE NÃO ADORMECE NOS OLHOS DAS MULHERES (parte 1)

 A NOITE NÃO ADORMECE NOS OLHOS DAS MULHERES (parte 1)

      Em memória de Beatriz Nascimento


Conceiçao Evaristo


A noite não adormece

nos olhos das mulheres

a lua fêmea, semelhante nossa,

em vigília atenta vigia

a nossa memória.


A noite não adormece

nos olhos das mulheres

há mais olhos que sono

onde lágrimas suspensas

virgulam o lapso

de nossas molhadas lembranças.


Fonte do texto: <https://www.revistaprosaversoearte.com/conceicao-evaristo-poemas/>.

Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/photos/papoulas-campo-p%c3%b4r-do-sol-174276/>.

sábado, setembro 10

Vamos fazer yoga?

 Vamos fazer yoga?



Por Angélica Castilho


Tivemos um momento de Power Yoga em um sábado passado. Hoje teremos mais uma prática poderosa, trabalhando o corpo inteiro. Vale muito conferir: https://www.youtube.com/watch?v=DVfxf8HGLWw&list=UUod2Gi9j8THW1hC7sHn94Rw&index=36 

Namastê!

Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/photos/ioga-exerc%C3%ADcio-fitness-mulher-3053488/>.

terça-feira, junho 16

O LIVRO: ONTEM, HOJE E AMANHÃ

O LIVRO: ONTEM, HOJE E AMANHÃ

por Alexandre Lima

Se você pedir para uma pessoa descrever fisicamente um livro, provavelmente te dirá que é “uma coleção de folhas de papel, impressas ou não, cortadas, dobradas e reunidas em cadernos cujos dorsos são unidos por meio de cola, costura, formando um volume que se recobre com capa resistente”. Talvez não seja uma resposta tão elaborada como essa. Afinal, essa é acepção do Dicionário Houaiss, mas destacará ou pelo menos mencionará o papel como elemento fundamental.
Sabemos que hoje em dia há outros suportes que nos permitem acessar uma obra. Na época em que dicionário foi feito (2001), já havia essa perspectiva. Listava-se o “disquete” como um dos suportes do livro. O disquete era um tipo de disco de mídia flexível, cuja capacidade restringia-se a 1.44 MB. Hoje a noção de suporte do livro é muito mais virtual. Considera-se até mesmo a extensão de um arquivo como livro. Resumindo a história recente: passamos por um período de adaptação para os suportes digitais, em que podemos passar de um texto para o outro com apenas um click.
O interessante é que o papel não foi o único recurso utilizado para a realização de um livro. Se recuarmos no tempo, identificaremos outros suportes, que, em um dado momento, coexistiram, até serem suplantados pelo papel. Destacam-se o papiro e o pergaminho. O papiro é união de finas lâminas extraídas do talo de uma espécie vegetal comum às margens do Nilo. Há indícios dos primeiros usos dessa técnica a 3000 a.C. Foi usado pelo menos entre os sécs. IV a.C. e IX d.C., pelos gregos. Já o pergaminho é feito de pele de animal, especificamente a derme. Teria sido utilizado desde 2700 a.C. O nome deriva da cidade de Pérgamo. O rei Eumenes II criou esse suporte para solucionar a falta de papiro. A título de curiosidade, os milhares de fragmentos de manuscritos religiosos encontrados em Qumran perto do Mar Morto são pergaminhos. O desafio dos cientistas é remontar o imenso quebra cabeça. Para isso, estão usando o exame de DNA para reunir fragmentos do mesmo livro.
Já o papel surgiu apenas no ano de 105 d.C., na China. Para sua produção, utilizou-se a pasta de elementos fibrosos de natureza vegetal, que ao secar receberam a forma de folhas.
Você acha que o formato do livro sempre foi semelhante a um caderno? Antes havia o volume. Era um rolo composto de folhas, normalmente de papiro, coladas umas às outras pelas laterais, formando uma longa sequência em cujas extremidades se colocavam bastões que seriam para desenrolar e enrolar com cada uma das mãos. Muito estranho? Então pare para pensar na forma como estão dispostas as páginas de um livro em pdf. A diferença é que no pdf o “desenrolar” é vertical.
Outro formato foi o códice. Esse antepassado histórico do livro foi implementado entre os sécs. II e IV d.C., em função da progressiva substituição do papiro pelo pergaminho. As folhas eram dobradas ao meio e colocadas umas dentro das outras, constituindo assim um conjunto a que se chama de caderno. Estes eram costurados uns aos outros, com uma capa de material firme. A palavra códice significa “tronco de árvore”. Da madeira se faziam tabuinhas, que cobertas de cera, podiam receber a escrita. Amarradas pela margem, à moda dos livros atuais, formavam os códices.
Como será livro no futuro? Com certeza, os suportes continuarão a se modificar, sempre acompanhando as novas tecnologias, os recursos disponíveis, os interesses econômicos e, principalmente, a maneira como o ser humano se relaciona com a leitura.
Certa vez, folheando um livro antigo, encontrei a folha de árvore, da imagem desse texto, cuja mensagem transcrevo: “esta folha foi colhida no jardim do Collegio no dia 20 de Junho de 1912”. Posso ver esse estudante, sentado no pátio do colégio, no intervalo das aulas, cheio de desafios, próprios de um jovem do segundo ano ginasial do início do século XX. Mas uma coisa o silenciou por alguns instantes. Seria uma paixão? Seria uma desilusão? Seria a esperança sobre uma vida que estava só começando? Numa folha do jardim, quis conservar a lembrança daquele momento. E o livro foi para a folha uma cápsula desse instante. Assim também é o livro para a obra. É claro que essa cápsula não dura para sempre, mas leva a várias gerações um recorte do tempo. Guarda a obra, essa pequena folha da árvore de nossa história.

segunda-feira, junho 15

Local de fala


Fonte do gráfico: https://www.blogstayfoolish.com/post/o-que-%C3%A9-lugar-de-fala

ECA artigo 18

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
LEI Nº 8.069, de 13 de julho de 1990

Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

Fonte de imagem:

quarta-feira, fevereiro 11

DO DESESPERO

DO DESESPERO

Te vi dormindo hoje
e
mãos de ar te arrastavam aos solavancos
dentes e garganta bradavam o que faço?! o que faço?!
Músculo algum comprou minha ideia
Corpo estático e suspenso que voltou a dormir.

Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

DO AMOR

DO AMOR

A singularidade de cada amor nos coloca pasmos diante de um abismo.
Qual a medida?
Quais os limites entre os amantes?
O que é isto?

Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

DA SOLIDÃO

DA SOLIDÃO

A solidão é tão bela e tão assustadora.
Nos remete a nós mesmos cruamente.
Espelho, espelho meu, isto sou eu?

Angélica Castilho
Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

DO HOJE

DO HOJE

O hoje é um dia
dentro
de
outro dia
Um somar
de degraus horizontais, camuflados, intactos.
Boneca russa
Que reserva o vazio.

Angélica Castilho
Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

DOS DESTEMPEROS

DOS DESTEMPEROS

A histeria
Seja ela de ordem clínica ou de frescura
Me incomoda.
É um balão soprado a cada cena
em forma de desconforto físico
situado em minha caixa torácica
Valei-me Freud!

Angélica Castilho
Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2015.

ANÚNCIO DE CARNAVAL

ANÚNCIO DE CARNAVAL

Nossa senhora da Lapa, salve seus foliões!
Salve os meninos e as meninas que brincam em suas ladeiras!
Salve a alegria que passa também fantasiada de colombina pelos arcos!
Salve Bandeira! Que ainda está a brincar pelo Curvelo, pela Glória esboçando poesia em guardanapos pelos bares.
Salve as passistas, as baianas!
Olhai por todos nós!
Salve! Salve, nossa mãe!

Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2015.

CASULO

CASULO

Estudar estudar estudar estudar estudar estudar estudar estudar estudar...
Ação camuflada
Pronta
para saltar pela estrada
e correr visionária.

Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 05 de janeiro de 2015.

terça-feira, janeiro 13

AINDA SÍSIFO

Um dia depois do outro...
rolando em cascatas
de pedras-fatos, pedras-ações, pedras-desafios, pedras-ignorâncias, pedras-injustiças
Rolando rolando rolando...
Quando minhas retinas já fatigada não avistarão pedras a cair?
Quando?

Angélica Castilho
Rio de janeiro, 13 de janeiro de 2015.

quinta-feira, maio 2

DITO E FEITO




Não tenho tempo de ser poeta, poeta de profissão, de encontro nos bares, de sair em passeata reivindicando melhores leitores, melhores meios de divulgação de minha amada obra. Não tenho.

E não ter é a única poesia que me resta. Poesia do menos. Porque existir é menos! A cada dia menos, até sumir com caderno de poesia que traz desde os tempos da sexta série do antigo Ginásio. Pó do tempo! Pó da vida...



Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 30 de abril de 2013

LEMBRANÇA




Estou com uma puta saudade de mim! Mas não me ligo há séculos! E hipérboles a parte, a vida é o Saara, o da África e o dentro do Rio, vazio e cheio de gente, mas sem gente. Com isso, a gente se perde até da gente! E não tem ninguém para anunciar em alto-falante a pessoa perdida... Tecnologia inútil quando se trata da vida...



Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 30 de abril de 2013

CUSTO




Meus amigos estão adoecendo. Muitos deles! Vem dessa confusão toda a pergunta: o que eu faço da minha vida?



Nenhum deles sabe responder nem eu.



Angélica Castilho

Rio de Janeiro, 02 de maio de 2013